quinta-feira, 14 de julho de 2011

47- O Boi na Grécia (parte 9 de 11) - A origem grega da tauromaquia

Afresco da tourada de Cnossos

Os registros mais antigos da realização da tauromaquia (1) remetem à Grécia onde foi representada em várias pinturas desde a antiguidade clássica. No conhecido afresco da tourada do palácio de Cnossos na ilha de Creta, a imagem central do touro cercado por dois homens e com uma mulher que parece ter saltado sobre seu dorso é de grande plasticidade. Parecem envolvidos numa dança acrobática aonde não se vêm armas. Os jogos de touros foram convertidos sem dúvida em espetáculos, celebrados provavelmente nas praças dos palácios cretenses rodeadas por grades. Não existem dados que revelem que esses jogos resultassem na morte do animal.
Já no Império Romano, Julio César (100aC - 44aC) introduziu uma outra espécie de tourada, onde cavaleiros perseguiam diversos touros dentro de uma arena até que os touros ficassem cansados o suficiente para serem seguros pelos chifres e depois executados. Esses espetáculos tinham o nome de venatio ou bestiarium e incluíam a caçada a outros animais selvagens. Geralmente eram feitos pela manhã, nos mesmos anfiteatros onde logo depois também se exibiam os combates de gladiadores e as execuções públicas. Milhares de animais podiam ser mortos num só dia.
Nas touradas de hoje (2), um touro é colocado para lutar contra homens ricamente vestidos, empunhando estacas farpadas, lanças, espadas e adagas. Essas armas são projetadas para infligir dor intensa e provocar perda de sangue o que enfraquece o animal até a morte, comumente diante da platéia. A figura central é a do toureiro que assume uma postura de elegância viril nas manobras com o touro. Touro e toureiro fazem um pas de deux numa dança de provocação e morte.
Para alguns “a tourada é um patrimônio que evoluiu com a cultura e que há muito deixou de ser um espetáculo bárbaro”. Para outros “é um ato de crueldade sem justificação, que não se insere dentro das tradições humanistas”.

O que você sente a esse respeito?
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NOTAS: 
1) O termo tauromaquia, a arte de tourear, tem origem grega significando etimologicamente combate com touros. Na antiguidade clássica não havia diferença entre arte e técnica. A teknê grega, bem como a ars latina referiam-se não só a um saber fazer. O técnico era aquele que executava um trabalho com uma espécie de perfeição ou estilo.
2) Atualmente são realizadas touradas na Espanha, Portugal, França, México, Colômbia, Peru, Venezuela e Guatemala. No entanto, desde os anos 90 vêm sendo proibidas em algumas regiões desses países pela lei de proteção ao animal. No Brasil, a tourada foi proibida em 1934, por Getúlio Vargas.
3) Esse blog foi iniciado com o relato sobre meu encontro com a Dra Nise da Silveira na oficina pela Queda da Farra do Boi (ver postagens 1 a 5), que gerou a pesquisa atual sobre a presença do boi no imaginário popular.

13 comentários:

  1. Daniele Leite respondeu pelo Facebook:
    “Acho um crime!! O prazer humano é ver a morte de outro ser vivo!!
    O prazer poderia ser o nosso aprendizado com eles, respeitar a natureza e o ser vivo. Se nós aprendêssemos algo com eles, tudo seria diferente!”

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  2. Valéria Santos, pelo Facebook:
    "Concordo com a Daniele. Para dominar seus "bichos" internos o ser humano prefere "matá-los". Conviver com o animal dentro e fora é um aprendizado necessário. O prazer poderia passar pela convivência e não pela negação do bicho que nos ameaça.”

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  3. Mônica Weirich de Santana, pelo Facebook:
    “Quando estive na Espanha fui assistir a uma tourada por ser turístico, mas realmente é difícil para quem ama animais. E o povo torce pelo touro, é claro!”

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  4. Rosangela Carnevale, pelo Facebook:
    “sem palavras!”

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  5. Thalles Nogueira Garcia, pelo Facebook:
    ”Eu acho que “é um ato de crueldade sem justificação, que não se insere dentro das tradições humanistas”... Sempre temos que nos colocar no lugar do outro e só fazer aquilo que gostaríamos que fizessem conosco.”

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  6. Marta Medrado, por e-mai:
    "Acho um absurdo se divertir as custas dos outros, mesmo que seja de um animal."

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  7. Marilene Séllos, por e-mail:
    "Sinto esta prática absurda, como uma projeçào
    inconsciente de sombra coletiva. Matar o touro,
    é matar a possibilidade de confronto com a mesma.
    Como nos diz Valéria:"conviver com o animal dentro
    e fora, é um aprendizado necessário".
    Abraço grande."

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  8. Madalena Pedra, peloFacebook:
    "E nao encontro justificativa mesmo!!! INACEITAVEL"

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  9. Cecília Bosisio, pelo Facebook:
    "Parece que até hoje a tourada continua sendo um espetáculo bárbaro. Sempre me recusei a assistir porque é algo tão cruel que me deixa indignada."

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  10. Rosângela Esper, pelo Facebook:
    "Embora filha de espanhola, sou totalmente contra as touradas, pois considero um ato cruel, sanguinário!!!!! ( minha mãe tb concorda comigo)! Creio que nada justifica esse ato de crueldade como sendo "patrimônio"."

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  11. Marília Saldanha, pelo Facebook:
    "Sou absolutamente contra qquer evento q traga aos animais desconforto ou sofrimento. Cultural? Não. é crueldade pura. Os espanhóis q se revejam, assim como outros povos q depositam seu sadismo nos animais!!!"

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  12. ‎Andre Carvalho Lima, pelo Facebook:
    "Disciplina artística e cultural"!!! Então poderia ser dito o mesmo dos espetáculos de gladiadores da Roma Antiga... Por que estes foram abolidos? Porque tradição não é justificativa para dar continuidade à crueldade e ao sofrimento de terceiros - humanos ou não.

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  13. Cristina Sales comentou pelo Facebook:
    "Tortura não é cultura!"

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