(continuação das postagens 112 a 114)
Dra. Nise relata
que um caminho de imagens solares se iniciou na vida de Carlos a partir dessa
intensa experiência da visão do "Planetário de Deus". Disse ela: "através de todo
esse percurso na escuridão do inconsciente, como um fio condutor, está
presente o princípio de Hórus, isto é, o impulso para emergir das trevas
originais até alcançar a experiência essencial da tomada de consciência. O
princípio de Hórus rege todo desenvolvimento psicológico do homem e é
tão forte que se mantém vivo mesmo dentro do tumulto de uma psique cindida, por
mais grave que seja sua dissociação."
Na
cultura egípcia o deus Hórus, filho de Ísis e Osiris representado muitas vezes
por um olho, é símbolo do olhar justiceiro, discriminador, que combate Set, o
maligno. O coração é a Casa do Sol, a morada do Si-mesmo. O caminho do divino é o caminho do coração, tanto na vida como na
morte. O princípio de Hórus ilumina esse caminho.
Também nas
vivências do escritor francês Antoine Artaud o sol foi símbolo da consciência que ele buscou. Em 1936, vai ao México com a meta de reviver
os vestígios da antiga cultura asteca que usava alimentar os deuses elevando
corações ainda pulsantes em sacrifícios ao sol. Confiavam que receberiam em
troca a renovação da vida e a imortalidade. O sol, na psicologia junguiana, é tanto símbolo do ego, o centro da consciência, quanto do Si-mesmo e representa o poder criador da psique.
Na visão da Dra. Nise, ir até
lá não foi para Artaud certamente uma atitude de pura curiosidade em relação a uma população
exótica, mas uma busca secreta de fortalecimento de si mesmo. Coincidência ou não, sabe-se hoje sobre a influência da exposição à luz solar sobre neurotransmissores como a serotonina diretamente relacionada aos estados de humor e bem-estar, uma base natural importante para a reconstrução da unidade psíquica.
Em 1982, o
ano seguinte a minha ida à exposição "Imagens do Inconsciente" foi um turning point. Como uma flor que se move em direção
ao sol por uma espécie de instinto que busca a luz, rumei numa nova direção movida por novos interesses muito mais verdadeiros dentro de mim. No campo profissional mergulhei
no universo da psicologia, me especializando mais tarde na abordagem junguiana.
Essa
associação de eventos me veio à memória 24 anos depois, no instante em que recebi a flor das mãos
do José Alberto, paciente do Museu de Imagens do Inconsciente. Rápido como um déjà vus... foi um raio de sol que tocou meu coração.
E lembrando Carlos Castaneda..."um caminho é só um caminho, e não há desrespeito a si ou aos outros em abandona-lo, se é isto que o coração nos diz... examine cada caminho com muito cuidado e deliberação. Tente-o muitas vezes, tanto quanto julgar necessário. Só então pergunte a você mesmo... Este caminho tem coração? Se tem, o caminho é bom, se não tem ele não lhe serve. Um caminho é só um caminho. "
NOTA:
(1) O olho de Hórus ou "Udyat"é um simbolo proveniente do Egito Antigo, que significa poder e proteção, relacionado ao deus Hórus. É um dos amuletos mais usados no Egito.
(2) Fonte: Silveira, Nise. Imagens do Inconsciente. Rio de Janeiro: Alhambra, 1981.
E lembrando Carlos Castaneda..."um caminho é só um caminho, e não há desrespeito a si ou aos outros em abandona-lo, se é isto que o coração nos diz... examine cada caminho com muito cuidado e deliberação. Tente-o muitas vezes, tanto quanto julgar necessário. Só então pergunte a você mesmo... Este caminho tem coração? Se tem, o caminho é bom, se não tem ele não lhe serve. Um caminho é só um caminho. "
NOTA:
(1) O olho de Hórus ou "Udyat"é um simbolo proveniente do Egito Antigo, que significa poder e proteção, relacionado ao deus Hórus. É um dos amuletos mais usados no Egito.
(2) Fonte: Silveira, Nise. Imagens do Inconsciente. Rio de Janeiro: Alhambra, 1981.
MARILENE séllos, via email;
ResponderExcluir'Quando nos deixamos tocar por "um raio de sol",
damos espaço para o "princípio de Hórus", que
nos impulsiona na nossa possibilidade de re-construção.`