(continuação da postagem 112)
José Alberto escreveu rapidamente muitos poemas para nós enquanto visitávamos o museu. Começou o primeiro
poema com a frase “Pé no Chão” e, ao lado, carimbou seu pé descalço usando um
pouco de lama como tinta. Literalizou e sintetizou através dessa imagem sua
impressão de estar no mundo e sua impressão no mundo. Não fez uma impressão
digital, prova da identidade. Fez uma impressão da sola do pé marca da existência
aqui na Terra. Levei
seu manuscrito para digitar, mas “sua letra é de médico”, como diz Gladys. Voltamos
na semana seguinte para que ele nos lesse
o poema enquanto gravávamos.
Pé
no
Chão
E
cabeça nos astros
Astroloucura
A capacidade
De ser um
Louco de pé
Torto
E o coração
Virado do avesso
Da sanidade
Com a realidade
Bem fora de si
Déjà vu
Shanti
Assinado,
Um louco.
.
Lá se
vai o visitante
Abre o portão
No canteiro
alucinante
Com as chaves
Sem porquês
Não diz na chegada
Nem “como vai você?”
A intimidade
Um parecer
E você, o que trás?
Uma linda
carruagem?
Leve daqui as
imagens
Não a loucura, essa
não
Ou pode ir, pois é
O meu passaporte
para a viagem
A jornada é longa
Como as conversas
dos doutores
Faixa-preta – Psicanálise
– Terapia - Artes quânticas
E filo-patologia
dentre tantas alquimias
Como pudera eu
dizer da logosofia
Nas pautas da
ideologia
Seria a pontaria
Apontada na outra
mira
Com a certeza, sem
a dúbia colocação
Fica então a
questão
Qual a sorte da
psique para a moral?
Teria alguém como
eu
Um mal diante de
outras lentes?
Racional no enfoque
transpessoal?
Ou a morte material?
Exterminada a
concepção cessaria
O irracional monstro
pensante
Eu vir a ser um
extraterreno?
Matrix – Jedi – Yoda
– Hilander?
O homem que veio
das estrelas?
Seria um imaginário
fértil?
Cheio de historias
fabulosas?
Ou um conto de
realidade?
Será o Código da
Vinci uma aberração?
Ou a verdade pura
noutra situação?
Serei a paixão de
Cristo?
E a tentação de
Cristo?
Uma ficção ou uma inteligência
artificial?
Um robô?
Uma nova era?
O que você espera?
Uma
outra filosofia anti-maria?
Ou uma poção
anti-atômica?
Uma bomba da paz?
Ou por de trás
A inocência de
criança superdotada
Faz ditados com
recados déjà vu?
Eu até penso no R$
(real)
Será a minha
intenção
O mal?
Ou as colocações outras
aquisições
Das experimentações
do invisível pessoal?
De qual mentira
você gosta mais?
As de Papai Noel?
Príncipes
transformados em sapos?
Gatos negros?
Ou se você não
acreditar
Que a verdade não é
verdade
Ela passa em sua
concepção como uma mentira
E se você acredita
em mentira,
Esta não passou a
ser verdade para você?
Assim, eu acredito
em uma voz
Você pode até como
a doutora
Dizer que é Deus
Eu até posso
acreditar
Agora se Ele conta
mentiras
É problema Dele
É Dele e do diabo
Se quiser pagar
este mico com Ele
(Eu nem trabalho no
Ibama)
Eu ganho meu
beneficio pelo INSS por ser louco
Acho que todo mundo
tinha de ser louco
Afinal quem são vocês
para os loucos?
Visto que de perto
Ninguém... ninguém
É tão normal
Que
chata esta conversa mole
Que não leva a nada
Mas meu caro e
minha cara
Se eu sou um louco
varrido
Como é que eu iria
ser tão chato
Para encher o saco
de vocês?
Eu ganho para isso
Me faço de maluco
para poder viver
Tem
algum emprego pior
Do que ter um
papagaio na orelha
24 horas por dia me
enchendo o saco?
Eu até reconheço o
ditado
Do papagaio que
come milho
Mas como é que eu
iria falar das loucuras
Que vocês assistem
todos os dias
Na TV, no DVD, no
teatro, na piscina, em casa...
Sem ter o único
privilégio de alugar vocês de graça?
Pois a loucura é
contagiosa
Pega por pensamento
e contato
Quer ver só um
exemplo na praticidade?
Peguei! (nesse momento ele
toca o braço da Gladys)
Um
dia o mundo falou
Em segredo para mim
Você sabe o que é
ser gente....
Eu até pensei nisso
Durante algum tempo
Na minha vida
Hoje déjà vu
Eu sei o que é
filho de gente
Que ao nascer chora
E todo mundo acha
graça
Depois que viveu
Morre feliz
E todo mundo chora
Um abraço,
De um louco
Um louco desconhecido
Pois louco já está saindo de moda
Já tem clones
E se explica
A gravidez psicológica
A ressurreição
Só não se explica a loucura
E o seu anfitrião
O próprio Criador
E seu cúmplice
O louco por amor
Às famílias humanas
PS de um amigo do
caminho da estrela brilhante:
Se vocês, após esta
longa história de vida pudessem ver os vossos olhos, iam ver mais que a
normalidade. Saberiam sem medo,
que louco é louco mesmo, mas tem o coração de uma inocência que até Deus duvida
e o Diabo fica curioso.
Saudade,
De um louco
MARILENE SÉLLOS, VIA EMAIL:
ResponderExcluir"Quanta sensibilidade ! na sua escuta.
Alberto,com o "coração de uma inocência,o coração virado do avesso,"
encontra neste espaço,abrigo para sua poesia, seu jeito especial de ser."