sexta-feira, 25 de novembro de 2011

60- Desdobramentos do 1o Colóquio de Psicomitologia Junguiana e Mitos Brasileiros


foto 2 pasifaefoto 1 cenas do minotauro
 
"O Colóquio foi muito bom e rico no seu aspecto prático. Vivo.
Duas gravuras de um pequeno livro de Astrologia > signo de Touro. 
Separei para você... Esta sua fase pelo simbolismo do Touro vai abrindo horizontes preciosos. meu abraço, Martha "
(Martha Pires Ferreira é artista plástica, astróloga. Foi amiga e colaboradora da Dra Nise da Silveira e é coordenadora das artes plásticas da Casa das Palmeiras)

Martha, agradeço a você por esses presentes valiosos: as belas imagens (fotos 1 e 2) e as palavras carinhosas. Nos sentimos felizes e honrados com sua presença no 1o Colóquio de Psicomitologia Junguiana e Mitos Brasileiros. E esperamos continuar trocando saberes e artes. Um grande abraço, Julia.

Agradecemos tambem " pelos muitos retornos recebidos por e-mails, pelas redes em que divulgamos e por outras presenças importantes que acompanharam com prazer e encantamento mesmo os nossos empenhos! Na continuação, já estamos começando a planejar um Workshop de máscaras e o 2o. colóquio"(Humbertho Oliveira, Oficina de Conhecimentos)

NOTA:
Sobre o Minorauro e Pasifae postagens 36, 37, 39 e 40 do blog Oficinas de Individuação.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

59- Mahatma Gandhi e a Vaca



Na Índia a vaca é a imagem arquetípica da Mãe Fértil, é o céu e a terra. Nela reside a ordem divina. Símbolo da nuvem das águas celestes, a vaca se desfaz no céu e se refaz na terra graças ao alimento que a chuva torna abundante.

No século passado, o líder indiano Mahatma Gandhi (1869- 1948) disse:
A proteção à vaca é um presente do Hinduísmo para o mundo. O Hinduísmo viverá enquanto houver hindus que protejam a vaca. A vaca é um poema de compaixão. Ela parece nos dizer através dos olhos: “vocês não vieram ao mundo para nos matar e comer nossa carne, mas para ser nossos amigos e guardiões.”

Gandhi era vegetariano e ao longo da vida jejuou por 22 vezes. Essa forma de auto-sacrifício era para ele uma prática espiritual que dedicava a causas políticas e humanitárias.


Fonte:
Mahatma, A Golden Treasury of Wisdom - Thoughts & Glimpses of Life; Hripra Publication.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

58- Socorro! Querem capar o Touro da Wall Street


Incentivadas pelas redes sociais, desde setembro pessoas de distintas origens acampam bem pertinho do Touro da Wall Street(1), em Nova York. Foi aí que alguém disse: “Vamos capar o touro!”. 
Para quem visita a bolsa de valores nova-iorquina, em Wall Street, é impossível não ver a escultura do touro com um pouco mais de três toneladas de bronze, mais de três metros de altura e quase cinco metros de comprimento. Invocado, agressivo, os olhos injetados, o Touro da Wall Street simboliza o otimismo dos mercados, a expectativa das ações em alta. E quando a realidade não corresponde à expectativa, contra quem protestar? Sobrou pro Touro! Em torno das grades de proteção colocadas ao redor do touro os manifestantes exibem pacificamente cartazes que proclamam: “Eu não suporto mais os lobistas, faço parte dos 99%!” numa alusão contra a minoria privilegiada do 1% isentada de impostos por Bush e mais tarde por Obama. As mudanças esperadas não aconteceram, em seu lugar veio a crise.
Os Estados Unidos mobilizaram recursos para salvar as grandes corporações e os bancos com medo de uma quebradeira geral. Socializaram os custos, pagando as sociedades com tributos, desemprego, redução de salário, diminuição e degradação de serviços sociais básicos. Por isso um cartaz dizia: “Os habitantes de Nova York estão fartos da ganância de Wall Street”, considerada pelos manifestantes uma força destrutiva e grande responsável pela maior parte da pobreza e do sofrimento deste planeta.
Outros cartazes diziam:
“Nossa economia está modelada num câncer!”
“Os que têm fome não podem comer o dinheiro produzido por bancos que amam nossas guerras intermináveis”.


Como disse Mahatma Gandhi: “Sempre houve o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas; Nunca haverá o suficiente para a cobiça humana”. Em 2011 mais uma vez o Boi se torna o bode expiatório(2), só que agora ele se transformou em uma obra de arte muito valorizada. A polícia veio em socorro, ergueram-se grades defensivas protegendo-o. 
Digo, pois: Viva o boi! Abaixo a ganância da Wall Street!

NOTAS:
1- Sobre o Touro da Wall Street postagem 49 deste blog.
2- Sobre Bode expiatório postagem 3 deste blog.
3- Para ler mais sobre esse assunto: http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2011/10/18/o-touro-urso-a-rua-925606772.asp#ixzz1bheYgj1P 


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

57- O Boi versus a Ditadura Militar (parte 4 de 4) Existirmos... a que será que se destina?



cajuína em flor
Quem é o boi? Quem é o homem?
“Leve um homem e um boi ao matadouro. o que berrar mais na hora do perigo é o homem,nem que seja o boi...”  (Pessoal Intransferível – de Torquato Neto )

Natural do Piauí, Torquato Neto foi poeta e importante letrista de canções icônicas do movimento tropicalista. Sempre presente nas rodas culturais efervescentes da época, atuou nos anos 60 como agente cultural polemista e defensor das manifestações artísticas de vanguarda. Com o AI-5 e o exílio dos amigos e parceiros Gil e Caetano, viajou pela Europa e Estados Unidos morando em Londres por um breve período. De volta ao Brasil, no início dos aos 70, Torquato entrou em depressão, sentindo-se alienado tanto pelo regime militar quanto pela patrulha ideológica de esquerda. Escreveu a Hélio Oiticica: “O chato aqui é que ninguém mais tem opinião sobre coisa alguma...Tudo parado.”
Torquato se matou um dia depois de seu 28º aniversário, em 1972. 
Após a morte do seu amigo, Caetano foi fazer uma visita ao pai dele. Ambos passaram muito tempo em silêncio até que o pai de Torquato saiu para o jardim e de lá voltou com uma flor da cajuína. Foi esse o gesto inspirador da canção Cajuína, de Caetano Veloso:
“Existirmos - a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos, intacta retina: 
A cajuína cristalina em Teresina”

Fonte: “Pra mim chega, a biografia de Torquato Neto”, Toninho Vaz, Ed. Casa Amarela, 2004.

domingo, 16 de outubro de 2011

56- O Conto Chinês

“Era uma vez na China, um mestre e um discípulo que andavam por uma estrada. O caminho era inóspito, agressivo. O ambiente não era favorável à vida. Avistaram, ao longe, uma casinha de aspecto miserável e para lá se dirigiram.
Foram abrigados pelo dono da casa e sua numerosa família que com eles compartilharam sua escassa comida e seu espaço para dormir. A alimentação provinha de uma única fonte: uma única vaca da qual tiravam leite e seus subprodutos.
Mestre e discípulo ficaram ali mais alguns dias e depois partiram.
Algumas horas depois da partida, o mestre disse ao discípulo:
- Volte lá, às escondidas, e jogue a vaca no penhasco.
Incrédulo, o discípulo argumentou:
- Mestre, o único bem dessa numerosa família é a vaca! O senhor me pede para jogá-la no penhasco?
- Sim - disse o mestre. Jogue a vaca no penhasco.
Mesmo sentindo uma enorme culpa o discípulo obedece ao mestre.
Anos depois mestre e discípulo voltam aquele mesmo lugar. Sem nada dizer ao mestre, o discípulo decide pedir perdão àquela gente por ter jogado a vaca do penhasco. Assim, sai à procura da pobre casinha, mas só o que vê é uma construção ampla e confortável. As pessoas alegres e bem vestidas, num ambiente onde o progresso era evidente. Pergunta a um deles:
- Há uns anos atrás aqui havia uma pequena e pobre casinha. Saberia me dizer para onde foram aquelas pessoas?
- Somos nós. Moramos aqui desde sempre - respondeu o homem.
- Mas, o que aconteceu? - disse, olhando o progresso a sua volta.
- Bem - disse o homem. Aconteceu numa noite um terrível acidente em que nossa vaca, nossa única vaca, caiu do penhasco e ficamos sem nossa fonte de sustento. Não tivemos alternativa, a não ser buscar outros recursos. Descobrimos, então, nossas próprias capacidades.”

O mestre é aquele que vê além das aparências, diferentemente do discípulo que só é capaz de enxergar o que está diretamente a sua frente. O mestre viu que a ausência da vaca, um aparente infortúnio para aquelas pessoas, consistia na sua verdadeira fortuna.
A vaca representa o recurso externo fácil e imediato no qual aquela família se apoiava e projetava seus recursos internos, que ficavam assim desconhecidos, na sombra (1).
Enquanto a vaca estava lá viviam o dia-a-dia, sobrevivendo sem pensar no amanhã, como animais, só experienciando os instintos da fome e sexual. A partir da falta da provedora, novos recursos internos se manifestaram instintivamente através da criatividade, do movimento e da reflexão.
Mas claro que essa estória é um “faz de contas”. Um verdadeiro mestre jamais mandaria matar a vaquinha!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

55- O Boi Manequim


Segundo J. Chevalier e A. Gheerbrant (1) o manequim é um dos símbolos da identificação do homem com a matéria perecível, com uma sociedade, com uma pessoa; a identificação com um erro. É assimilar um ser à sua imagem. É tomar a imagem pela realidade.
Mas o que dizer quando o manequim é um boi de verdade? 
O Boi Manequim(2) não é um boi voador (3), mas deu o que falar!
Sua história começou de maneira trágica quando um caminhão carregado com bois tombou em maio de 2011, na Rodovia Assis Chateaubriand, que liga São José do Rio Preto a Guapiaçu, cidades no interior de São Paulo. Vários animais ficaram soltos na pista. Alguns foram atropelados e um grande congestionamento se formou na rodovia. O motorista do caminhão foi encaminhado ao Hospital de Base de Rio Preto, onde morreu.
O boi correu sozinho 2 km pela estrada. Entrou na área urbana de São José do Rio Preto, invadiu uma loja de roupas e lá ficou preso na área da vitrine, sem conseguir sair.
A polícia teve que interromper o trânsito na rua para não deixa-lo nervoso. Antes de escapar quebrando a vitrine ele foi fotografado e filmado, tendo sido batizado, a partir de então, de Boi Manequim.
Alguns metros à frente da loja, ele foi laçado e dominado por peões.
Graças a sua façanha,o Boi Manequim ficou famoso. Virou primeira página de jornal e apareceu até na televisão, para depois se tornar  um filantropo(!), ajudando o Hospital do Câncer de Barretos. Um animal de seu porte com dois anos e pesando 400 kg vale normalmente em torno de R$ 1,3mil, mas por conta da sua fama foi leiloado pela quantia de R$ 15mil que foi doada para este hospital.
A estória do Boi Manequim  faz lembrar a estória de Forrest Gump. Dirigido por Robert Zemeckis com Tom Hanks no papel-título, o filme de 1994 é baseado no romance homônimo de 1986 escrito por Winston Groom. 
Forrest Gump é  um homem simples do Alabama que por mero acaso vira herói, influenciando alguns dos eventos históricos mais notórios da segunda metade do século XX.

Fontes:

(1) Dicionário de Símbolos; José Olympio Ed.
(2) asnovidades.com.br/2011/boi-na-vitrine-de-roupas/
(3) Ver postagens: 52- O Boi na MPB versus a Ditadura Militar ( parte 2 de 4) - O Boi Voador, de 5 de setembro de 2011
e  56- O Conto Chinês,  de outubro de 2011, deste blog.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

54- Vacas que Caem do Céu



Em agosto de 2011, uma família de Ipatinga, em Minas Gerais, foi acordada com uma vaca que parecia ter caído do céu. Foi um susto, mas ninguém se feriu. O animal estava em um lote vazio atrás da casa, se desequilibrou e foi parar bem em cima do telhado. Por alguns minutos ela ficou presa na estrutura de madeira antes de cair em cima de um guarda-roupa e de um colchão. Três pessoas dormiam no quarto que ficou destruído, uma delas era um bebê de apenas quatro meses. O animal andou por outros cômodos da casa e só saiu depois que a dona da casa abriu a porta da sala.
Não é a primeira vez que uma vaca provoca um susto destes. Em dezembro de 2010, uma outra caiu numa falha de um terreno, também em Ipatinga, ficando presa no telhado (foto acima). Só saiu de lá com a ajuda do corpo de bombeiros e de um guincho.
Já em 2007, uma vaca “caiu do céu” russo e afundou um pesqueiro japonês. Segundo o relatório da policia federal russa, um grupo de soldados dedicava-se a roubar gado e transportá-lo por via aérea. Durante um dos vôos as vacas ficaram fora de controle e ante a possibilidade de um acidente a tripulação viu-se forçada a atirar os animais no espaço. O que aconteceu em seqüência foi a grande falta de sorte dos pescadores japoneses que viram a chuva de vacas e uma delas enviar seu barco para o fundo do mar.
O que teria passado pela cabeça dos japoneses quando viram uma vaca convertida em um míssil de 700 quilos varrendo o céu?
Não sabemos a resposta, mas tal fato inspirou a criação do belo filme argentino Um Conto Chinês.
Vacas que caem do céu simbolizam neste filme eventos inusitados que transformam por completo a vida de alguém. Vale a pena conferir.